Xanana o Artista
Autor de livros sobre assuntos que vão desde a sua experiência como guerrilheiro até à poesia, Xanana é também um exímio pintor.
Literatura
Os dotes literários de Xanana não são de agora. Já em 1973, ainda Timor era uma colónia portuguesa, foi-lhe atribuído o Prémio Revelação da Poesia Ultramarina. Durante o período conturbado de 77/79 em que tomou o poder das Falintil escreveu em português duas obras teóricas: Pátria e Revolução e Guerra, Temática Fundamental do Nosso Tempo, que descrevem o processo revolucionário de uma guerra popular na base da sua experiência em Timor-Leste.
Quase vinte anos mais tarde, a literatura de Xanana é outra vez notícia. Em Novembro de 1994 foi lançado o livro Timor-Leste: Um Povo, Uma Pátria, com prefácio de Mário Soares, escrita em Cipinang. Além da biografia completa de Xanana até ao momento em que assumiu o comando da Resistência e da guerrilha, o livro contém textos inéditos, como algumas cartas, fotografias e textos já conhecidos, como a defesa que Xanana escreveu para o seu julgamento. É um livro de 350 páginas, cujos direitos de autor revertem para a Resistência Timorense.
Quatro anos depois surge Mar Meu, uma recolha de poemas escritos entre 1994 e 1996, que inclui também imagens de algumas pinturas de Xanana. A recolha foi feita por Kristy Sowrd, sua amiga pessoal e membro da organização não governamental East Timor Relief Association. Desta feita o prefácio é do escritor Moçambicano Mia Couto, para quem o livro retrata o sentir do povo timorense: "Um livro de Xanana não poderia ser apenas um livro. Por via da sua letra se supõe o falar de um povo, uma nação."
Pintura
A paixão de Xanana pela pintura é também por demais conhecida. Durante o tempo que passou na cadeia de Cipinang além, de escrever, Xanana aproveitou para pintar. Um dos muitos quadros dessa época é particularmente conhecido. Oferecido a José Ramos Horta por ocasião do seu aniversário, Aldeia Típica de Timor, tela de 1994 retrata as casas originais da ilha. A tela esteva patente ao público na exposição Todos Diferentes, Todos Diferentes, no Toledo Pub em Agosto de 1996 e foi também base para a produção de 300 serigrafias cujas vendas revertem a favor da Resistência Timorense. A iniciativa partiu de Ramos Horta e foi produzida por uma editora sem fins lucrativos. A obra foi acompanhada por um poema alusivo à mítica história da criação do território.