Visitas/Encontros
Se a questão timorense foi de muitas maneiras ignorada pela imprensa durante os anos da ocupação Indonésia, tudo mudou depois do Massacre de Santa Cruz, em 1991. A partir daí a cobertura dos media duplicou e o interesse por Xanana Gusmão, líder histórico da resistência timorense, também. É, assim, natural que desde a sua prisão, Xanana tenha gozado de uma vasta cobertura mediática, e tenha acabado por se tornar um prisioneiro VIP .
É neste contexto que se desenrolou uma lista de personalidades e entidades que o visitam, desde a sua captura até à actualidade na casa-prisão de Salemba. Foi, é claro, um caminho difícil o que estas entidades tiveram que percorrer, especialmente a princípio. Os pioneiros foram Pierre Herman Pont e um outro delegado da Cruz Vermelha Internacional (CVI). O encontro decorreu na sede da polícia indonésia, ao abrigo das condições habitualmente exigidas pela CVI para visitas a presos políticos sem testemunhas, no local em que o prisioneiro se encoantra encarcerado e com direito a uma segunda visita. Esta visita abriu o precedente, mas mesmo assim as autoridades dificultaram o acesso a Xanana. Os pedidos de visita do Comité Internacional da Cruz Vermelha, de advogados independentes e da própria família foram sistematicamente recusados. Assim, em Setembro de 1993 a Amnistia Internacional AI) lançou um apelo ao Governo de Jacarta, no sentido de autorizar visitas regulares de organizações independentes ao ex-líder da Resistência Timorense, para avaliar o seu estado de saúde condições de detenção.
As visitas foram de facto uma realidades, sendo inclusive possível a ida de Emília Gusmão, mulher de Xanana, à prisão , acompanhada pelos deus dois filhos, Eugénio Paulo e Zenilda Emília. Foi um reencontro emocionado, dado que Marido e mulher não se viam desde 1989. No entanto, no início de 1994 as autoridades interromperam novamente as visitas ao líder timorense. Esta decisão vem no seguimento a Xanana ter conseguido chegar ao exterior mensagens suas, em que pedia a "repetição" do seu julgamento e agradecia a solidariedade organizada em Portugal. As reacções não se fizeram esperar. De imediato uma comissão internacional de 18 juristas pró-Direitos Humanos enviou os seus protestos ao director dos Serviços prisionais indonésios, Baharuddin Lopa. Este anunciou dias depois que Xanana voltaria a receber visitas a partir de Fevereiro.
No dia 24 de Janeiro de 1994 Xanana recebeu a visita do director de Assuntos Políticos das Nações Unidas, Francesco Vendrell e Samuel Amrat, enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas, Buthros Gali, no âmbito da preparação da segunda ronda de negociações entre Portugal e a Indonésia. Segundo Vendrell o líder timorense estava física e mentalmente bem e pôde falar livremente. Mas as visitas não ficam por aqui. Ao longo destes quatro anos encontrou-se quer com altos dignatários Europeus, quer com antigos camaradas, para discutir ideias sobre o futuro de Timor. Desde Fevereiro último, com a transferência para a casa prisão de Salemba, multiplicaram-se as visitas, especialmente por parte de Ana Gomes, chefe da secção de interesses de Portugal na Indonésia. Ainda no mês de Fevereiro, Xanana Recebeu o representante das Forças Armadas Indonésias em Bali, Adam Damizi (?), assim como Toio Swatman(?) e o ex-coordenador dos serviços secretários indonésios Zacky Anwar (?). Em Março de 1999 a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright encontrou-se com o líder histórico e garantiu-lhe o apoio norte-americano a uma presença internacional em Timor-Leste. Xanana recebeu também nesse mês Domingos Soares, dirigente do FV/UDT/J.