UDT

Em 1967, nasce o Movimento Revolucionário de Libertação de Timor-Leste (MORELTI). Este acabou por ser, após o 25 de Abril, a base da UDT. Situações como a injustiça social e laboral eram tratados com a maior importância neste partido. Entretanto o MORELTI, cresceu rapidamente. Funcionava como uma estrutura piramidal, através de células, em que cada pessoa só conhecia outras três.

João Carrascalão, viu que os primeiros passos da UDT eram demasiados "conservadores" não aderiu logo. Carrascalão defendia a independência através de um processo em que Portugal estaria presente. A UDT foi o primeiro partido a nascer após o 25 de Abril de 1974. Foi a 11 de Maio de 1974, depois da autorização da constituição de partidos políticos em Timor que a UDT foi fundada. Este partido preconizava a autonomia progressiva até à independência que surgiria num prazo de 20 anos e em estreita ligação com Portugal. A UDT expande-se rapidamente "pela mão" de Mário Carrascalão, o "criador" do partido, que se havia licenciado em Agronomia, em Lisboa, antes do 25 de Abril.

Em Janeiro de 1975, a UDT forma uma coligação com a FRETILIN. Esta coligação não durou muito tempo. A 26 de Maio a UDT retira-se. Porque, diz Mário Carrascalão, "a Fretilin estava a tentar "engolir" a UDT". E sucedem-se as divergências entre os dois partidos.

Na altura o governo de Timor era liderado pelo brigadeiro Lemos Pires. As afirmações que este havia feito levavam a crer que o governo dava apoio unilateral à Fretilin. A UDT via assim legitimada a sua intenção de levar a cabo um movimento militar. As animosidades entre a Fretilin e a UDT voltavam a subir de tom.

Vivia-se um período em que se dizia que a Fretilin se preparava para dar um golpe de estado no dia 15 de Agosto 75, mas a UDT antecipa-se e assalta um posto militar em Díli a 11 de Agosto. O golpe foi bem sucedido e os homens da Fretilin foram obrigados a sair da capital. Uma semana depois dá-se o contragolpe, a Fretilin armada como material bélico do exército português toma conta da situação e a UDT vê-se obrigada a recuar e a refugiar-se em Atambua, Timor indonésio.

Timor vive um período sangrento da sua história. A guerra civil origina milhares de mortos e grande parte dos dirigentes da UDT são mortos pela Fretilin.

A UDT viveu dias difíceis até Dezembro de 1993. O partido reorganiza-se num Congresso Extraordinário, em Lisboa, e João Carrascalão é eleito presidente do partido sendo reeleito em Dezembro de 1997, na Austrália.