Indonésia

Após a "Revolução dos Cravos" de Abril de 1974, os acontecimentos em Díli deixaram o regime de Jacarta alarmado. A formação de partidos, a liberdade de expressão, o fim da censura, a democracia, referendos com supervisão internacional eram considerados como conceitos ameaçadores para os militares indonésios. Isto porque, segundo eles, um Timor-Leste independente era impensável e tinha de ser evitado a todo custo!

Em Setembro de 1974, Suharto encontra-se com o Primeiro Ministro australiano, Gough Whitlam, em Java, e recebe deste um apoio muito importante para a prossecução da sua luta política integracionista. "Um Timor independente seria um Estado inviável e constituiria potencialmente uma ameaça para a região…." Whitlam terá dito isto ao seu anfitrião indonésio, acrescentando de forma menos enfática, que "os anseios dos timorenses deveriam ser respeitados e a reacção da opinião pública australiana seria hostil, se a Indonésia recorresse à força". Deste modo, a Austrália, único país que poderia ter exercido alguma influência moderadora sobre o regime de Jacarta, deixou o caminho livre para os generais indonésios.

Em Janeiro de 1975, Ali Murtopo, chefe dos Serviços de Informação, sabendo que a UDT e a Fretilin se tinham juntado numa coligação, pretendia provocar uma ruptura. Então através da propaganda contra a Fretilin e através da pressão exercida sobre a liderança da UDT fez com que em Maio desse mesmo ano desfizessem a aliança. Foi então em Julho de 1976, que o regime de Jacarta procurou "legalizar" a integração de Timor-Leste tomando-o na sua 27ª província. Fê-lo recorrendo a uma representação de "teatro político": a aceitação por parte de Suharto e do parlamento indonésio de uma petição redigida e aprovada por um "conselho de representantes do Povo da região de Timor-Leste", criado à pressa em Díli e convocado pelos militares indonésios, que apelava à integração plena do território na Indonésia.

Sem quaisquer direitos sobre a antiga colónia portuguesa à luz do Direito Internacional, Jacarta propagou então o seu mito muito conveniente de que fora "convidada" a entrar em Timor-Leste pelos dirigentes do minúsculo partido integracionista APODETI (Associação Popular Democrática Timorense), da UDT e de outras organizações. O "convite" basear-se-ia "na exigência popular" e nos antigos laços de sangue que 450 anos de colonialismo português tinham quebrado.

Na altura o território de Timor-Leste encontrava-se em plena guerra civil.

Até hoje a Indonésia não abandonou o território de Timor-Leste. Os militares indonésios mostram essa forte presença, não desistindo de forçar o povo timorense a concordar com a integração de Timor-Leste na Indonésia. Para tal, decidiram obrigar os timorenses a integrarem um grupo de pró-integracionistas, de forma a obterem um maior número de "aderentes".