Fretilin
A ASDT (Associação Social Democrata Timorense) formou-se em Maio de 74. Defendia a independência imediata e viria, mais tarde, a mudar de nome. Assim, a 12 de setembro nasce a frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin).
Os ensinamentos políticos deste partido, vinham essencialmente das leituras de obras de autores como Soeiro Pereira Gomes, Marx e Mao Tse Tung. O manual e programa políticos da Fretilin, foram redigidos por Abílio Araújo que aderira ao partido também em Setembro de 1974. O partido exigia a imediata independência, com radicais mudanças na estrutura social e económica do território.
Em Novembro desse mesmo ano, o General Lemos Pires assumia o cargo de governador de Timor numa fase em que as rivalidades entre a Fretilin e a UDT começam a subir de tom. Porém, as provocações entre os dois partidos foram interrompidas pela a coligação estabelecida a 20 de Janeiro de 1975.
A 20 de Agosto de 75 rompe-se a aliança e a Fretilin toma o quartel-general de Dili. Sete dias mais tarde as tropas portuguesas fogem para Ataúro, tal como Lemos Pires que ao aperceber-se da gravidade da situação, abandona o controlo do território.
Assim, a 28 de Novembro de 1975, a Fretilin declara unilateralmente a independência e chega a constituir Governo. Xavier do Amaral era o Presidente da República, Nicolau Lobato, Primeiro Ministro, Ramos Horta, o ministro das Relações Exteriores e Informação, Mari Alkatiri, ministro de estado dos Assuntos Económicos e Sociais.
Os adeptos dos partidos contrários à Fretilin tiveram que se refugiar no lado Ocidental de Timor, na província indonésia de Nusa Tengara Timur.
A UDT, a Apodeti e o Kota, formaram um movimento anticomunista e, pressionados pela Indonésia, viram-se obrigados a assinar a declaração de Balibó, onde pedem a integração de Timor na Indonésia.
A Indonésia invade Timor com o pretexto de acabar com a guerra civil. Assim, depois da instalação do exército indonésio, a 7 de Dezembro de 1975, os dirigentes da Fretilin foram obrigados a retirar-se para países estrangeiros. Ramos Horta, Mari Alkatiri e Rogério Lobato foram recebidos em Lisboa por Abílio Araújo. Em Timor, homens como Xanana Gusmão e MaHuno refugiaram-se nas montanhas.
Em 1978, após a morte do presidente da Fretilin, na altura, Nicolau Lobato, Xanana Gusmão assume o comando da luta armada de Timor Leste.
Depois dos combates de 1978/79, Xanana mostrou uma capacidade notável de repensar toda a orientação da luta de resistência. Após concluir com êxito a reconstrução das Falintil compreendeu que já não bastava considerar a luta como sinónimo de Fretilin. Tinha havido um grande debate no seio dos dirigentes sobreviventes da Fretilin e das Falintil sobre as causas e consequências da derrocada militar, e a ideia de formar um novo Conselho Revolucionário de resistência Nacional (CRRN) como organismo supremo da resistência já tinha sido levantada numa reunião de comandantes em Março de 1979. Foi então que, em Março de 1981, na Conferência de Maubai, Xanana é oficialmente escolhido como líder da resistência.
O líder da resistência estava decidido a fazer com que a nova organização funcionasse como um aglutinador de todos os grupos nacionalistas que lutavam pela independência de Timor, quer no interior quer no exterior. Assim, na segunda Conferência Nacional da Fretilin em 1984, Xanana anunciou que, apesar de continuar como comandante-chefe das Falintil, não continuaria a ser membro da Fretilin (devolveu mesmo o seu cartão do partido), e de então em diante se colocaria acima da política partidária. Sob a sua direcção política, a Fretilin tinha já abandonado a sua posição esquerdista e aceitado publicamente a necessidade de um sistema multipartidário . Agora estabelecia contactos com o antigo parceiro de coligação a UDT. Estes contactos tiveram êxito e, em Março de 1986, a delegação exterior da Fretilin em Lisboa anunciou a formação de uma nova "convergência" nacionalista entre os dois partidos, com o CRRN a passar a Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM), sob a presidência de Xanana. Ao mesmo tempo, as Falintil, o antigo exército da Fretilin, transformaram-se em exército nacional de Timor-Leste. Com a adesão da Resistência Nacional Estudantil de Timor-Leste (Renetil), passou a existir uma verdadeira frente nacional, englobando todos os partidos e agrupamentos políticos dedicados à consecução da independência nacional.
Actualmente a Fretilin, tal como outros partidos, é parte integrante do CNRT, Conselho Nacional da Resistência Timorense.