D. Ximenes Belo
D. Ximenes Belo, Bispo de Dili nasceu em Uailacama, concelho de Baucau no dia 3 de Fevereiro de 1948.
Ingressou no Colégio Salesiano de S. Teresinha em Ossu, concelho de Videqueque a 2 de Outubro de 1962, onde completou o ensino básico. Fez os estudos preparatórios no Seminário Diocesano de Dili e no Instituto de S. João de Bosco em Mogofortes (Anadia). Concluiu o ensino liceal na escola Salesiana de Manique de Baixo Estoril, onde deu entrada no noviciado a 6 Outubro de 1972 e professou pela primeira vez na congregação Salesiana de Lisboa. Foi ordenado definitivamente a 7 de Dezembro de 1976.
Frequentou, também, o 1º e 2º anos do Propedêutico no ISET (Instituto Superior de Ensinos Teológicos) no curso de Filosofia. Fez o estágio no Colégio Salesiano de Fatumaca em Timor, em Agosto de 1974. A guerra surpreendeu-o em Dili e impediu-o de regressar ao seu colégio, passando para o colégio Dom Bosco de Macau.
Em 1980 veio a Lisboa e foi ordenado presbítero por D. José da Cruz Policarpo, Bispo auxiliar do Patriacado de Lisboa.
A 25 de Julho de 1981 regressou a Timor e em Setembro desse mesmo ano foi escolhido para mestre de noviços salesianos. Em 1982 é nomeado director do colégio Salesiano em Fatumaca. Em Maio de 1983, foi nomeado por João Paulo II Administrador Apostólico da Diocese de Dili, sucedendo ao Monsenhor Martinho da Costa. Em 1988, é elevado a Bispo de Loreum, continuando como Administrador Apostólico desta diocese.
Vendo que os massacres e o genocídio não paravam, conhecendo bem o pensar da população, apelou em 1989 para o Secretário Geral da ONU, a sugerir como solução um referendo a todo o povo de Timor-Leste, para conhecer a sua opinião.
A partir desta data, D. Ximenes Belo tornou-se num porta-voz do povo timorense, assim como o seu protector, dando apoio à causa da Guerrilha e continuando a apelar interna e externamente à manutenção da Paz. Estes esforços foram recompensados em 1996, ano em que, juntamente com Ramos Horta, recebeu o Prémio Nobel da Paz. O ter sido laureado galvanizou o povo de Dili, numa calorosa recepção à sua chegada a Timor.
Sempre cuidadoso nas suas opiniões, sobre a questão de Timor-Leste, D. Ximenes não deixou nunca, no entanto, de expor as arbitrariedades das autoridades indonésias.
Em Maio de 1998 foi doutorado Honoris Causa pela Universidade de Évora, e em Agosto do mesmo ano o Presidente Jorge Sampaio condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Infelizmente, ainda este ano (1999) D. Ximenes Belo demonstrou as suas convicções, os seus valores, o humanismo contido nas suas palavras, na sequência dos Massacres de Liquiçá. D. Ximenes veio a público esclarecer as informações que andavam no ar, continuando como sempre, a dar o seu apoio à causa da Resistência.